Todos os relacionamentos afetivos começam pelo prazer. Não há relação duradoura entre seres humanos que persista sem o prazer convivido entre as partes. Nada mais sublime e feliz do que o surgimento do amor, da sensação de ser amado, da idealização do companheiro, da fantasia de estar realizado com o objeto do amor ao seu lado.
Segundo Freud, o nascimento transforma os indivíduos em seres faltantes, em busca constante de um estado de prazer, conforto e completude uterina que não mais será atingido, salvo na vivência do amor. Mas para amar, precisa-se do outro, daí o paradoxo dessa busca, pois assim como no outro se encontra o prazer, nele também está o desprazer.
Segundo Freud, o nascimento transforma os indivíduos em seres faltantes, em busca constante de um estado de prazer, conforto e completude uterina que não mais será atingido, salvo na vivência do amor. Mas para amar, precisa-se do outro, daí o paradoxo dessa busca, pois assim como no outro se encontra o prazer, nele também está o desprazer.
Num tempo de amores líquidos e ficantes, em que se estabelece o modelo descartável dos afetos, as dificuldades em desenvolver relacionamentos duradouros e construtivos tornam evidente que o outro ainda continua sendo a peça fundamental da busca pelo prazer, mas não mais se tolera os aspectos de desprazer de sua presença.
Desse modo, assim como o prazer será o modulador inicial das relações, ele também será o modulador final delas. Sem prazer, pela ausência do outro, ou com desprazer, pelas contingências sofridas com o modo de vida atual, surge a crise dos relacionamentos e a chamada terapêutica para repensar os caminhos, por meio da Terapia Individual do Afeto.
Por outro lado, para aqueles que conseguiram construir relacionamentos felizes e virtuosos, as coisas são diferentes. Aqui as bases do relacionamento firmaram raízes fortes e maduras o suficiente para a criação de uma linha do tempo duradoura e conjunta entre duas pessoas. Nesses casos, o paradoxo é que a própria linha do tempo acaba por criar desgastes naturais da convivência, perceptíveis somente ao longo da caminhada.
A esses casais, aparenta haver dois caminhos estabelecidos. Por um lado, chegou a hora de repensar a relação, para que as construções da linha do tempo sejam reavaliadas e que uma nova agenda de prazeres e conquistas seja criada. Nesses casos, o repensar da relação está embasado em todo o prazer e respeito conquistado mutuamente, perante o qual, a crise de ausência de prazer atual, ou mesmo desprazer, são aspectos pontuais a serem corrigidos com apoio profissional. Aqui o foco não é no problema havido na relação, mas não construção criativa de soluções aptas a gerar um novo ciclo virtuoso de crescimento afetivo a ambos.
Não obstante, por outro lado, deve ficar claro que o foco da Mediação Positiva de Casais não é salvar relacionamentos. Isso poderá acontecer se as partes assim o desejarem no transcorrer dos trabalhos da mediação. Caso contrário, o caminho será outro, será o de positivar soluções acordadas para uma nova fase de vida qualitativa diversa para ambos. Aqui o escopo será de apoio da mediação às transformações da relação do casal em relação de amizade, de maneira que ambos possam manter-se em equilíbrio, mesmo trilhando caminhos diferentes a partir de então, com o desfazimento do vínculo e resolução mediada de todas as conseqüências jurídicas desse ato.
Isso pode demandar que, cada qual após a separação inicie sua Terapia Individual do Afeto e redefina em terapia novos caminhos de afetividade para a sua vida.